Esquema desbloqueia empréstimos de benefícios e altera senhas sem que aposentados saibam

Um suposto esquema de fraude que pode contar com a participação de servidores públicos consegue acessar sistemas do governo federal para desbloquear benefícios de aposentados e liberar a contratação de empréstimos para golpistas. O serviço ilegal é ofertado livremente […]

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  • Esquema fraudulento permite que benefícios do INSS bloqueados para empréstimos sejam liberados de forma quase instantânea por golpistas para agentes de instituições financeiras de crédito.
  • Reportagem do Grupo de Investigação da RBS (GDI), exibida pelo Jornal Nacional nesta terça-feira (23)demonstrou como a fraude funciona em tempo real.
  • A fraude pode ser “encomendada” pelo WhatsApp, sob valores que ficam entre R$ 80 e R$ 100, segundo a reportagem.
  • No entanto, o esquema acaba permitindo que empréstimos consignados sejam feitos em nome dos aposentados, com os criminosos embolsando o dinheiro indevidamente.
  • Uma aposentada de Porto Alegre perdeu R$ 74 mil para os golpistas.

Um suposto esquema de fraude que pode contar com a participação de servidores públicos consegue acessar sistemas do governo federal para desbloquear benefícios de aposentados e liberar a contratação de empréstimos para golpistas. O serviço ilegal é ofertado livremente em aplicativos de mensagens.

Com a fraude, os criminosos conseguem liberar desconto em contracheques do INSS que têm restrição para consignados e ainda alterar senhas do sistema Gov.br, que dá acesso a serviços como Previdência Social, Carteira Digital de Trânsito, entre outros. Reportagem do Grupo de Investigação da RBS (GDI), exibida pelo Jornal Nacional nesta terça-feira (23), demonstrou como a fraude funciona em tempo real e revelou que golpes são aplicados por estelionatários que se fazem passar pelas vítimas.

denúncia que embasou a reportagem partiu de uma promotora de vendas de Alvorada que trabalha para sete financeiras, que procurou a Polícia Federal para denunciar a fraude. Ela diz que aposentados chegam a aguardar 60 dias quando solicitam a liberação de forma legal. Por questão de segurança, assim que uma aposentadoria é aprovada, o benefício é bloqueado para empréstimos. O beneficiário também pode pedir a restrição a qualquer momento. Cliente da promotora de vendas, um porteiro aposentado de Alvorada que pediu para não ser identificado tinha solicitado ao INSS o desbloqueio do seu benefício no dia 13 de março, porque precisava de dinheiro para consertar o carro.

— Minha esposa é pessoa com deficiência, é uma dificuldade para nós andar de ônibus — diz.

promotora de vendas afirma que esse tipo de lentidão estimula um mercado clandestino de desbloqueio de benefícios.

— Eu pago e, dentro de 15 minutos, o benefício tá desbloqueado. Dentro de uma hora, o dinheiro tá na conta do cliente e ele tá feliz — afirma ela.

Diante da tela de um computador e de um celular, ela demonstrou como funciona a fraude. Naquele dia, o aposentado aguardava havia 28 dias pelo desbloqueio. Por R$ 80, ela encomendou o serviço a um homem via WhatsAppEm duas horas, a tela do Meu INSS mostrava que o contracheque estava liberado para consignados.

Nesse caso, o esquema foi feito para tirar um empréstimo de forma legal. Mas golpistas se valem da fraude para tirar empréstimos consignados em nome dos aposentados e embolsar o dinheiro. Para isso, existe um crime ainda mais grave: a alteração de senha do sistema gov.br, que dá acesso a serviços do governo federal.

A agente do correspondente bancário diz que os fraudadores conseguem mudar a senha de qualquer conta para assumir a identidade das vítimas. Depois, entram no aplicativo Meu INSS e se fazem passar pelos aposentados pra conseguir os empréstimos. Para mostrar que a fraude é real, ela usou o próprio CPF. Por R$ 100, conseguiu uma senha provisória, que depois foi alterada para outra, definitiva.

— Com o reset da senha (geração de uma nova), tu entra ali e consegue pegar documentos. O que que o golpista vai fazer? Ele tem todos os acessos, ele tem tudo referente ao gov.br.

Uma aposentada de Porto Alegre descobriu sete consignados obtidos de maneira fraudulenta em nome dela. Ela teve um prejuízo de R$ 74 mil.

— Deixei bloqueado, porque eu não tinha interesse em fazer consignado. Daí, até o momento que eu recebi uma carta dizendo que tinha mudado o endereço do banco que eu ia receber, e, chegando lá, eu descobri que eles tinham desbloqueado e tinham feito vários empréstimos no meu nome — diz a aposentada.

Com autorização da promotora de vendas, o GDI informou os dados do benefício e do CPF que teve a senha recriada no serviço Gov.br ao INSS e ao Serviço de Processamento de Dados do Governo Federal (Serpro).

Em nota, o Ministério da Gestão e Inovação, ao qual o Serpro está vinculado, disse que vai comunicar as autoridades competentes para averiguação. Mas não informou qual login foi utilizado na fraude. Conforme a nota, sempre que uma conta do Gov.Br é recriada, o nível de acesso é reduzido por medida de segurança.

O presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, diz que o acesso ao sistema para desbloquear o benefício mostrado na reportagem ocorreu em Roraima e que o servidor responsável será investigado.

— Tudo leva a crer que foi um servidor. Mas a gente tem que tomar cuidado, porque, com alguma forma de tecnologia, podem ter capturado as credenciais do funcionário. Nós abrimos uma apuração, muito em breve vamos ter resposta — disse Stefanutto.

O presidente do INSS também garantiu empenho para reduzir o tempo de espera pelos desbloqueios solicitados licitamente.

— O meu compromisso, e isso eu tenho como fazer, é diminuir drasticamente o tempo de espera para esse serviço de desbloqueio de benefício. Aí não vai existir oportunidade para pessoas desonestas cooptarem algum servidor — garantiu.

A Polícia Federal diz que há investigações em curso sobre esse tipo de esquema fraudulento.

— Isso tudo é objeto de apuração. Já foram feitas operações no passado. Algumas apontaram envolvimento de terceirizados, de estagiários. Outras apontaram, por sua vez, a obtenção fraudulenta das senhas através de dispositivos de informática instalados clandestinamente nos computadores de servidores — afirma o delegado Carlos Eduardo de Oliveira Andrade, da Delegacia de Repressão a Crimes Previdenciários da Polícia Federal no RS.

Gaúcha ZH

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